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Sexta-feira, 24 de novembro de 2017 -

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Osvaldo Timóteo  /  São José da Laje  /  Mata Atlântica  /  Localização

A Mata Atlântica é uma das únicas matas que se recompõe independente do homem intervir. É uma das florestas mais ricas em biodiversidade no Planeta e a floresta mais rica em diversidade de árvores. Porém, é o segundo ecossistema mais ameaçado de extinção do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da ilha de Madagascar, na costa da África.

Na Reserva Osvaldo Timóteo, o reflorestamento da Mata Atlântica deve se contemplar naturalmente daqui a uns 70 anos. Ela possui hoje 23 anos e ainda está na fase inicial. Em Alagoas, ainda restam 3% da mata original e situa-se próxima ao município de Murici.

Cerca de 93% de sua formação original já foi devastado no país. Os restantes 7,84% de Mata Atlântica não estão distribuídos de forma equilibrada entre as várias fitofisionomias do Bioma. Ecossistemas continuam muitos ameaçados e as perdas permanecem sendo grandes.

Fauna e flora


Estima-se que no Bioma existam 1,6 milhão de espécies de animais, incluindo os insetos. No caso dos mamíferos, por exemplo, estão catalogadas 261 espécies, das quais 73 são endêmicas. Existem 620 espécies de aves, das quais 181 são endêmicas, os anfíbios somam 280 espécies, sendo 253 endêmicas, enquanto os répteis somam 200 espécies, das quais 60 são endêmicas.

Mesmo reduzida e muito fragmentada, a Mata Atlântica ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas, ou seja, espécies que não existem em nenhum outro lugar do Planeta. É também da Mata Atlântica a árvore que deu origem ao nome do País, o pau-brasil (Caesalpinia echinata). Explorado ao extremo para uso como corante e construção de navios, o pau-brasil praticamente desapareceu das matas nativas.

Benefícios e ameaças


Num bioma reduzido a cerca de 7% de sua cobertura original é inevitável que a riqueza faunística esteja pressionada pelas atividades antrópicas. Classificada como um conjunto de fisionomias e formações florestais, a Mata Atlântica se distribui em faixas litorâneas, florestas de baixada, matas interioranas e campos de altitude. São nessas regiões que vivem também 62% da população brasileira, cerca de 110 milhões de pessoas. Um contingente populacional enorme que depende da conservação dos remanescentes de Mata Atlântica para a garantia do abastecimento de água, a regulação do clima, a fertilidade do solo, entre outros serviços ambientais.

Pela extensão que ocupa do território brasileiro, a Mata Atlântica apresenta um conjunto de ecossistemas com processos ecológicos interligados. É a conexão entre a restinga e a floresta, caracterizada pelo trânsito de animais, o fluxo de genes da fauna e flora, e as áreas onde os ambientes se encontram e vão gradativamente se transformando - a chamada transição ecológica.


Nossa água

Na Mata Atlântica também se encontram sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras sendo responsáveis pela quantidade e qualidade da água potável para cerca de 3,4 mil municípios, e para os mais diversos setores da economia nacional como a agricultura, a pesca, a indústria, o turismo e a geração de energia.

Os rios e lagos da Mata Atlântica abrigam ricos ecossistemas aquáticos, grande parte deles ameaçados pelo desmatamento das matas ciliares e conseqüente assoreamento dos mananciais, pela poluição da água, e pela construção de represas sem os devidos cuidados ambientais. Essa intrincada rede de bacias é formada por rios de importância nacional e regional, do São Francisco e Paraná, ao Tietê, Paraíba do Sul, Doce e Ribeira do Iguape.

Triste realidade

Contribuem ainda para o alto grau de destruição da Mata Atlântica, a expansão da indústria, da agricultura, do turismo e da urbanização de modo não sustentável, causando a possível perda de espécies conhecidas e ainda não conhecidas pela ciência, influindo na quantidade e qualidade da água de rios e mananciais, na fertilidade do solo, bem como afetando características do micro-clima e contribuindo para o problema do aquecimento global. Os números impressionantes da destruição do bioma demonstram a deficiência em políticas de conservação ambiental no país e a precariedade do sistema de fiscalização dos órgãos públicos.

Sustentabilidade

A Mata Atlântica oferece possibilidades de atividades econômicas que não implicam na destruição do meio ambiente e em alguns casos podem gerar renda para comunidades locais e tradicionais. Alguns exemplos são o uso de plantas para se produzir remédios, matérias-primas para a produção de vestimentas, corantes, essências de perfumes; insumos para a indústria alimentícia ou ainda a exploração de árvores por meio do corte seletivo para a produção de móveis certificados - o chamado manejo sustentável -, o ecoturismo, o mercado de carbono, produção de doces de frutas, polpas e biscoitos, entre outros.

Nordeste


Apesar de praticamente toda costa brasileira ter sido ocupada pela colonização européia a partir da mesma época (século XVI), foi no Nordeste do Brasil que a floresta Atlântica foi mais rapidamente degradada. Dois ciclos econômicos foram fundamentais neste processo: o do pau-brasil e o da cana-de-açúcar, o qual se estende até os dias atuais.

A Mata Atlântica nos estados de Alagoas e Pernambuco representa grande parte do que restou do Centro de Endemismo Pernambuco, o qual abriga a floresta costeira de Alagoas ao Rio Grande do Norte. Estudos indicam que um terço das árvores do Centro Pernambuco estariam ameaçadas de extinção regional, conseqüência da interrupção do processo de dispersão de sementes.

Modelos de extinção de árvores, elaborados posteriormente, sugerem que esse número pode estar subestimado e que a floresta ao norte do rio São Francisco é a unidade biogeográfica da floresta atlântica de maior probabilidade de perder espécies em escala regional e global. Nessa região, por exemplo, é onde se encontra um dos locais (Murici, Alagoas) com a maior quantidade de espécies de aves ameaçadas de extinção nas Américas.

De acordo com o Caderno nº 29, do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), que trata da RBMA em Alagoas, existem 24 Unidades de conservação inseridas na área de abrangência do bioma no Estado. Destas UCs, sete são federais, sete são estaduais, três são municipais e sete são Reservas Particulares. Estas UCs cobrem uma área total de 602.173,60 ha. Sete destas UCs são APAs e perfazem um total de 575.877 ha, as demais UCs cobrem 26.296,60 ha.

(Fontes: Amane, Apremavi e SOS Mata Atlântica)